Quem sou eu

Escritora chilena naturalizada brasileira, bacharel em Artes Visuais e Mestre em Arte Educação. Membro da Academia de Letras do Brasil Santa Catarina - Florianópolis, Membro da Academia Boituvense de Artes e Letras - Boituva - SP, Membro da Confederação de Letras e Artes de São Paulo - CONBLA - Editora Chefe da GAPLA Edições em Santa Catarina - Brasil.

Milka Plaza

Milka Plaza

sábado, 17 de outubro de 2009

Liberdade

Tenho experimentado as adversidades da vida e cada vez me surpreendo com as surpresas que ela traz. Os antagonismos principalmente. Por exemplo: há duas semanas atrás, participei de uma peça de teatro onde eu faço o papel de uma dançarina norteamericana. Eu adoro dança e nesse momento, no palco, no meio da música e eu envolta em veus e dançando descalça, me sentia nas nuvens, voando, extasiada nesse ambiente mágico. Em outro local, à mesma hora, um amigo tão querido, que me ajudou bastante num momento que precisava, estava sendo assassinado com tiros pelas costas num assalto covarde. Há pouco, durante a estréia de uma peça de teatro em que um amigo querido está fazendo parte, toca o celular e me informam que outro amigo que tambem me ajudou muito, acaba de morrer. Será que há sinais em torno disso? Hoje enquanto uma conhecida está no altar dissendo sim, acontece o enterro e o velório do amigo morto. Uns vão, outros ficam. A vida é feita de "ata e desata". Brincadeira minha.
Paro pra pensar. A quantas anda nossa vida? Quantas coisas deixamos de fazer para depois? Quer dizer, nós nos abandonamos e deixamos como prioridades o trabalho, os estudos, outras atividades, e o que nós gostariamos de estar realmente fazendo nesse momento. Onde ficam nossos sonhos? Tentamos realizar? Tentamos por acaso? Tudo isso me revolta e abraço uma nova bandeira. Liberdade! Sejamos livres. De todas as amarras. Façamos o que realmente gostamos sem nos importar com o que os outros vão dizer. Sejamos nós mesmos. Não que não esteja contente comigo mas com o que a sociedade nos impõe. Das falsas regras que temos que seguir para não sermos excluídos.

Um Sanduiche no Macdonalds

Depois de ter passado uma manhã interessante com amigos e crianças no centro da cidade, decidimos todos ir “almoçar” no MacDonalds. Bom. Na verdade, fui voto vencido. Eles queriam coisa rápida, um lanchinho e eu, preferia um prato com arroz, feijão, farofa e uma cervejinha. Nada contra o capitalismo e tudo que envolve a política de consumismo que os locais de “fast food” envolvem.
Ao chegarmos no local constatamos a fila enorme e o local cheio. Não havia opções de pratos de comida. Para meu desalento, só via caixinhas quadradas sendo entregues para o consumidor. Quanto maior o nome do prato, menor era a caixinha. Eu estava com fome. Na minha vez, pedi um mega sanduiche com carne e saladas, maionese e cebola, uma mega porção de batatas fritas e uma mega coca-cola. Meus colegas, uma minúscula panqueca que parecia gostosa e que devoraram enquanto eu tentava dar a primeira mordida do meu mega sanduiche que se desfazia entre minhas mãos. Não posso negar que o molho e a salada faziam uma bela combinação e muito gostosa ao paladar. Sei que existe muita gente com fome no mundo e que me bateriam por causa daquele meu prato escolhido. Mas, posso dizer que a carne tinha gosto de papel.
Após muita luta, consegui acabar com tudo, menos com a coca-cola e tive que pedir ajuda para liquidar com ela. A minha sensação de “estufamento” foi terrível quando saímos do local. A pesadez que eu tinha era a de querer chamar o “hugo” desesperadamente. Voltamos para casa de ônibus e a cada lombada ou buraco que passávamos parecia que daria vexame e deixaria meus amigos com vergonha de mim.
É incrível como o mercado de produtos de rápido consumo se proliferou enormemente e como faturam essas empresas de alimento em caixinha. Fazendo uma rápida análise, penso que o que leva essas pessoas a querer entrar nesses locais sejam mesmo as caixinhas e a praticidade de comer tudo com a mão, sem precisar de garfo e faca. Tudo é descartável, rápido e sem compromisso. Para quem gosta de salada, posso dizer que o alface e o tomate que achei no meio do molho,estavam fresquinhos. Quanto à minha pesadez, diria que tudo ficou bem assentado depois de tanto chacoalhar na longa ida para casa, pela estrada da SC 401.