Quem sou eu

Trabalhamos com filmagens de documentários e curtas, além de apresentações de teatro, Oficinas de dança e expressão corporal, criação literária e arte-educação.

Milka Plaza

Milka Plaza

sábado, 7 de agosto de 2010

Panegírico

Segundo o dicionário Aurélio, panegírico significa louvor. Neste caso, louvar a alguém. E quem seria este alguem? No mês de Julho de 2010 foi me dada a honra de realizar o panegírico a meu patrono, o poeta Cruz e Sousa. Imaginem a responsabilidade em defender as ideias e o trabalho de tão distinguido escritor catarinense e pai do Simbolismo.
Estudei sua vida, seu amor por Gavita sua esposa, sua tristeza ao perder seus filhos atacados pela tuberculose, e sua sua obra. Como alguém que lutou tanto pela vida dele e de sua família, pela abolição da escravatura e por uma posição digna na sociedade, foi visto como pessoa indigna da sociedade pela sua cor e agora estar sendo ovacionado? Ele estava à frente do seu tempo. Foi precursor de um movimento literário que tentava sair do parnasianismo pretendendo alcançar as alturas simbólicas com o uso de metáforas em seus versos. Era modernista e como todos os artistas modernistas tentava romper as correntes que os atassem ao passado enfeitado de adornos clássicos e românticos.
Convidei um amigo poeta nesse dia e ele encarnou o personagem Cruz e Sousa. No meio do meu discurso ele surgiu no recinto vestido como tal. Poeta! Eu disse. Todos olharam perplexos para ele pois se tratava de uma sessão solene. Ele veio em direção ao palco, recitando e falando alto e sentou no meio da primeira fila. Todos ficaram atônitos pela semelhança com o poeta.
Foi uma defesa muito linda. No final arrematei com o seguinte soneto de Cruz e Sousa.
Viva o poeta!

Tortura Eterna
Impotência cruel, ó vã tortura!
Ó Força inútil, ansiedade humana!
Ó círculos dantescos da loucura!
Ó luta, ó luta secular, insana!

Que tu não possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.

Que tu não possas, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clarões supernos

Ó Sons intraduzíveis, Formas, Cores!...
Ah! que eu não possa eternizar as dores
Nos bronzes e nos mármores eternos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário